Gnorimopsar

O gênero Gnorimopsar é composto apenas por uma espécie Gnorimopsar chopi, conhecida popularmente como graúna, pássaro-preto, assum-preto, dependendo a região do país.

Gnorimopsar chopi - graúna

Mede 21,5 a 25,5cm. de comprimento. Não há dimorfismo sexual. Trata-se de um dos pássaros de voz mais melodiosa deste país. A fêmea também canta. Muito caçado e cobiçado, justamente, por seu canto e por sua docilidade. Em algumas regiões está praticamente extinto.

É comum em áreas agrícolas, buritizais, pinheirais, pastagens e áreas pantanosas, plantações com árvores isoladas, mortas, remanescentes da mata. Sua presença está associada a palmeiras. Vive normalmente em pequenos grupos que fazem bastante barulho. Pousa no chão ou em árvores sombreadas. Há quem confunda o graúna com o atrevido vira-bosta (Molothrus bonariensis), famoso por parasitar o ninho de várias espécies (ex.: Tico-tico). Enquanto o vira-bosta é elegantíssimo, esguio e traja cintilantes vestes de tom violáceo, o graúna é negro e de porte mais avantajado, além de saber nidificar, não se descuidando da criação da ruidosa prole. No nordeste ocorre a subespécie (Gnorimopsar chopi sulcirostris), que é maior, medindo 25,5cm de comprimento.

Excluindo-se a Amazônia, onde está presente apenas no leste do Pará e Maranhão, é encontrado em todo o restante do País.

Molothrus

Molothrus bonariensis - vira-bosta

Mede cerca de 20 cm. O macho adulto é preto-azulado, mas dependendo da iluminação só se enxerga a cor negra. A fêmea é marrom-escura. Pode ser confundido com a graúna (Gnorimopsar chopi), mas este é maior e possui o bico mais alongado e fino. Difere das duas outras espécies do gênero Molothrus, a iraúna-grande (Molothrus oryzivorus) e do vira-bosta-picumã (Molothrus rufoaxillaris) por ser bem menor que o primeiro e um pouco maior que o segundo, que além de ser menor que o chopim também apresenta a parte inferior das asas mais clara e uma mancha avermelada na base inferior das asas.

Habitam paisagens abertas como campos, pastos, parques e jardins. Entre junho e setembro são muito gregárias, concentrando-se em pousos noturnos comunitários ou buscando alimentos em gramados e áreas campestres com capim baixo. Nessas concentrações, é possível observar os machos ameaçando-se mutuamente com seu característico comportamento de apontar o bico para cima e caminhar em direção ao oponente com as penas brilhando ao sol. O hábito de fuçar nas fezes do gado a procura de sementes mal digeridas lhe confere seu nome popular vira-bosta. Segue o gado para capturar os insetos por ele deslocados. Aprende a comer em comedouros artificiais de aves, a catar migalhas em locais públicos e a seguir arados para capturar minhocas e outros pequenos animais. É considerado uma praga agrícola, especialmente em arrozais do sul do país. Os machos se exibem para as fêmeas com vôos curtos nos quais cantam sem parar, arrepiam suas penas e batem as asas semi-abertas e também com apresentações que envolvem eriçar as penas, balançando-as rapidamente e vocalizar. Sua vocalização atinge frequências inaudíveis para os seres humanos.

Ocorre no Brasil todo

Molothrus oryzivorus - iraúna-grande

O macho mede de 35 a 38 cm de comprimento, a fêmea de 30 a 33 cm; pesam de 130 a 176 g. Além de maior, o macho apresenta um prolongamento das penas na região do pescoço, o qual está ausente na fêmea.

Varia de incomum a localmente comum em áreas campestres e pastos - geralmente perto do gado, cavalos e porcos, dos quais retira carrapatos. Pousa em praias e rochas nos rios, árvores altas isoladas e até mesmo sobre capivaras semi-submersas. Vive solitária ou em pequenos bandos.

Ocorre em todas as regiões do Brasil

Molothrus rufoaxillaris - vira-bosta-picumã

É uma espécie típica de áreas abertas, ocorrendo em plantações de cereais, pastagens, terreiros de fazendas e campos com árvores esparsas.

No Brasil, esta espécie é encontrada nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso (Sick) tendo recentemente invadido estados mais ao norte como São Paulo e Minas Gerais (Willis & Oniki; Gontijo).

Referências